Todos nós necessitámos de brincar ao faz de conta, fugir da
realidade e por momentos fantasiar, reviver a infância, a brincadeira e desta
forma podermos adotar procedimentos que de outro modo não nos é permitido. É
muitas vezes através das personagens que encarnámos que transpomos as nossas
experiências, os nossos valores. Dar uso à criatividade, explorar recursos, ser
capaz de criar personagens, dominar a expressividade, estimular o
relacionamento interpessoal é um processo que vamos aprendendo, com base no
conhecimento e na formação individual, mas é principalmente através das vivências
que podemos dar a conhecer outros pensamentos, incitar o outro a questionar, a pensar
de modo diferente e mais ousado. Nada nos reprime, pois ao faz de conta quase
tudo é permitido. Quase? Sim quase! Pois mesmo ao faz de conta não podemos
ferir suscetibilidades, não nos é permitido desrespeitar ou descriminar. No faz
de conta devemos estar providos de conteúdos para melhor os transmitir.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
domingo, 26 de janeiro de 2014
Carências
Todos nós sentimos
falta de algo ou de alguém. Necessitamos de tempo, de dinheiro, de trabalho, de
férias, de apetite, de vontade, de amigos, mas é sem dúvida na família que o
nosso coração mais chora. É indiscutivelmente aqui que a nossa garganta fica
demasiado apertada, tornando o ar que respiramos insuficiente para a nossa
existência. Mas, como contrariar todas estas necessidades? Como obter um pouco
de tudo isto sem prejuízo para o nosso bem – estar? Será um processo simples?
Acredito que sim. É necessário dar, dar de nós, distribuir um pouco do nosso
precioso tempo, prescindir de algo em prol do outro, temos que semear. Semear
palavras, evidenciar atitudes, difundir sentimentos, espalhar o que de melhor
existe nós. Descentrarmo-nos do nosso singular umbigo será certamente
o início de uma colheita promissora, mesmo que a semente não consolide de
imediato. Se não compartilharmos, se não dividirmos com os demais, o retorno
será nulo e por vezes até acusador. É frequente assistirmos a inúmeras
cobranças, somos seres insatisfeitos, mas se estivermos atentos, verificámos
que onde a semente mais careceu foi em prejuízo de sentimentos e emoções.
Emprestar um pouco do nosso tempo a ouvir testemunhos
dos nossos avós ou de pessoas mais velhas é de fato enriquecedor e caloroso,
sem esquecer que nestes momentos apadrinhámos uma imensa necessidade de
afirmação. São histórias simples, mas com uma enorme dose de carinho e
satisfação por poder partilhar. As vivências e passagens anteriores servem para
aprender ou corrigir algo. Escutar, educar, transmitir e partilhar
conhecimentos, são muitas vezes relatos de memórias que ajudam a compreender e
a compreendermo-nos, tornando a vida mais simples e a inexistência menos presente.
À falência
de emoções e vontades eu denomino de carência de viver. Uma
vida sem objetivos ou ambições facilmente culmina na maior pobreza de
existência.
domingo, 21 de abril de 2013
O meu refúgio
É no mar
que me acalmo, é ali que a minha mente se desmaia das apreensões e de pensamentos
tumultuosos e confusos. A imensidão do oceano transmite-me a existência de um
além para lá do meu pensar, do meu desassossego, da minha angústia e ansiedade.
É olhando o mar que procuro energias para abrandar de modo pacífico e controlado
a rapidez dos meus entendimentos, pois de tão excessivos e penosos conseguem
desgastar toda a minha capacidade de discernimento ou de razão. Por vezes, este estado de alma é atropelado por
turbilhões de pensamentos que me afastam da paz que necessito.
A brisa que sopra e que me aquieta de tão leve e fresca, o cheiro a sal e algas tempera as minhas ideias desengraçadas e sem teor, o som ritmado e único que provém das ondas a dispersar na areia é por demais calmante e descontraído, o reflexo da lua nas águas tranquilas nas noites mais quentes e amenas é panorama de tamanha beleza que me amorna o olhar e me brinda com uma sublime visão de perfeição, e o por do sol? Encantador, divinal.
Sereno, agitado, ondas fortes, águas
calmas e pacíficas, de cor cinzenta
azulada ou verde, é no mar que me abrigo, é para lá que vou quando preciso de
paz interior, quando careço de raciocínio claro e sadio, quando a mente se
esvazia de ideias e estas parecem não ter sentido, quando preciso de
determinação e muita coragem para enfrentar as vicissitudes da vida, é sem
dúvida no mar que me amparo e me descubro.
É ao mar
que conduzo todo o meu pensar, os meus raciocínios e dele obtenho um gigantesco sopro
de vida, de quietude. A bonança reina novamente nos meus pensamentos e desta
vez com a clareza fundamental para dar continuidade ao momento e adaptar-me às circunstâncias.
As minhas recordações, lembranças e ideias adquirem um novo ânimo. Fortalecida,
renovada e completamente refeita das incertezas e angústias, a minha mente está
límpida e repleta de paz. É no mar que me encontro.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
QB
Pois é, sobre
estas duas inscrições podemos desenvolver uma grande conversa e perceber o
poder destas letras em determinar o seu fim, definir o tempo e até o seu conteúdo.
Se a prosa é muito longa ,ultrapassa de imediato o famoso e rígido quanto basta
(qb), se o teor é inconveniente ou despropositado, rapidamente nos confrontamos
com o qb, quando pretendemos normalizar ou estagnar um assunto logo intervém o qb,
mas é na culinária que adquirem uma enorme utilidade. qb para aqui, qb para
acolá e todos sabemos exatamente do que se trata, nem mais, nem menos, é o
instante e a porção real no lugar e momento exato. Visíveis em qualquer
escrito, não carecem de tradução, são por demais conhecidas e não suscitam
qualquer dúvida, é somente quanto baste (qb). Ao que parece o único senão é
mesmo em contexto ofensivo. O qb nos insultos é sempre por excesso e mesmo
assim não nos permite saber o grau, a medida.
Como poderemos
quantificar quão a intensidade mencionada nestas afirmações?
“ És parvo qb, És ignorante qb, És estúpido qb,
És teimoso quanto baste.”
Temos que ter a
verdadeira noção do qb em tudo, mas é sem dúvida na linguagem, nos
comportamentos, na forma de ser e principalmente de estar que a sua importância
determina o indivíduo. Não ter a perceção do qb implica insanidade mental e
social.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Passos
São milhares os passos
efetuados ao longo deste trajeto e quem sabe ainda outros tantos para andar no
decorrer da nossa existência. No começo, os passos são pequenos, receosos, inseguros,
necessitamos de ajuda, de um guia que nos indique o melhor caminho, aquele que
se apresenta mais livre de obstáculos, mais reto e sem variações. Depois, com o
tempo aventurámo-nos a ultrapassar algumas barreias, com a aprendizagem e habilidade
vamos adquirindo confiança e atrevemo-nos a passos maiores. A parti daí a
facilidade com que superamos e ultrapassamos os impedimentos é cada vez mais
clara e como efeito os passos tornam-se cada vez maiores e com uma firmeza que
nos possibilita uma grande marcha, quase corrida.
Estes passos: uns
pequenos e vagarosos, outros mais longos e determinados, outros ainda muito
trémulos e inconstantes, foram e são passos fundamentais para a estruturação
desta marcha ou caminhada, mas, no decorrer desta jornada continuam a ser
vários os atalhos, descuidos e encontrões que nos surgem e nos dificultam o andamento,
a passada. Estes deslizes ocorrem quando antecipadamente considerámos seguros
os passos efetuados e com os vários atalhos pressupõem-se chegadas mais rápidas
e com resultados positivos, mesmo que os passos a efetuar sejam mais difíceis,
frágeis e com impulsos vários. Estes atalhos que com maior ou menor frequência
nos confrontamos nos caminhos que a vida nos mostra, são eles muitas vezes
sinónimo de oportunidade, de acesso fácil, de fuga para chegar em primeiro, ou na
grande maioria das vezes, não.
Nesta caminhada os
encontrões são também vários e diversos, basta desviar um pouco o olhar para
outros horizontes, para outra grandeza que de imediato somos ultrapassados sem
a menor dificuldade. Capacitados e determinados em concluir o grandioso percurso
até à meta vamos prosseguindo a marcha, uns mais vagarosos, outros mais rápidos,
mas sempre com a convicção de sermos os pioneiros. Uma vez atingível, é com enorme espanto que constatamos
que aquela meta outrora tão distante revelou-se demasiado atingível e
excessivamente fácil de alcançar.
Poderemos pensar! Será que dispensamos
demasiado cedo o guia, o protetor e até o trilho que anteriormente nos limitava?
Será que necessitávamos de tropeçar mais vezes e até cair? Será que os nossos
passos cederam ao percorrer o atalho que preferimos? Será que ficamos demasiado
deslumbrados com a caminhada dos outros e esquecemo-nos de andar? Foram
certamente demais as passadas e em direções distintas que somente mais tarde conheceremos
o seu desfecho e deste modo entender se os nossos passos foram consistentes e
sólidos ou ao contrário, frágeis e desamparados. Antes, quando os nossos passos
eram pequenos e hesitantes, a nossa vontade de conseguir, de obter algo, era um
entusiasmo e orgulho no triunfo no sucesso, agora e perante a facilidade de atingir
o objetivo, somos atingidos pela nostalgia, pela saudade dos entraves.
Relativamente a
outros PAÇOS, aí presenciamos quem os use para se manter inatingível. Sem passadas
e sob trilhos altamente arriscados conseguiram fixar-se e permanecer
intocáveis, promovem a corrida mas marcham a um ritmo muito vagaroso, lento e derrapam
ao cabo de um par de anos, com milhares de passos concluídos sim, mas ineficazes e
com um rasto de incompetência.
Não podendo esquecer a realidade e alusivo ao
nosso querido PASSOS, analisamos que são milhares os passos sem direção. Aqui
deparamo-nos com uma gigantesca montanha de pegadas obscuras e confusas, passos e
passadas que por muito que caminhe, marche ou corra, nunca chegará a
ultrapassar o colossal montão de emaranhados trilhos e caminhos que tão
rapidamente criou. Perante tanta ineficácia e incapacidade decide-se aprontar, adiando
a marcha e num andamento cada vez mais desastroso, reclama a sua incompetência contra
quem apenas desejou gatinhar.
O alcance de metas é para muitos objetivo
fácil, traduz-se em pouquíssimos passos, mas para quem ousa legar que é possível realizar um grande feito, sem choques ou empurrões, tem necessariamente
de se garantir com uma enorme dose de coragem e muita persistência, pois de
contrário o nosso legado depressa se apaga e desaparece na história.
domingo, 25 de novembro de 2012
(IN) Comunicação
A
falar é que nos entendemos, dizem os mais sábios, mas, comunicar através de
palavras não é propriamente o único meio para conhecer todo o universo da
comunicação. Pronunciar palavras é apenas um dos meios que nos permite dialogar
de uma forma acessível para melhor nos compreendermos, mas na comunicação deve existir, partilha,
interação, pois só assim podemos nos conhecer e melhor conhecer os outros. A troca
de ideias, sentimentos ou experiências faz-nos engrandecer, torna-nos
responsáveis e sensíveis. Com as novas tecnologias surgiu a oportunidade de
comunicar com tudo e com todos, estar informados e atualizados, ler, questionar
e obter respostas, compreender novas culturas e diferentes modos de vida sem
sair de casa. Deste modo, podemos tomar conhecimento e participar em tudo o que
acontece, e de modo ativo e com a rapidez de um simples clique conhecemos
todos, desde o mais comum dos mortais até à figura mais mediática, incluindo as
nossas figuras de eleição. É de facto um outro mundo esta era das tecnologias,
de tal modo absorvente e atraente que excede qualquer tentativa de adiar ou
sequer interromper. Ficámos paralisados perante tanta eficiência e rapidez
que………… nos esquecemos de falar, de comunicar. Podemos certamente afirmar, que
nos é mais familiar e contemos mais saberes sobre o quê e quem está do outro
lado do mundo, do que propriamente com as pessoas que vivem na mesma rua ou
moram connosco. Esta atual realidade, esta necessidade inerente às tecnologias,
traduz-se numa constante e inevitável escassez de diálogo, impõem-se novos
modos de estar, de trabalhar, de estudo. A frequência com que trazemos o
escritório para casa, rapidamente se transforma em rotina. A competitividade,
objetivos a atingir, salvaguardar o emprego, quando este se apresenta cada vez
mais precário e escasso, são de facto motivos suficientes que justificam o
trabalho extra. Na escola, os trabalhos em computador e com recurso há
Internet, são cada vez mais requisitados; obter informação é mais rápido e acessível através do Google do que consultar um livro ou manual.
Para ler a nossa obra preferida, escusa a biblioteca ou estante até então
repleta de livros, ordenados e selecionados, basta mais um clique.
É este o mundo
moderno e fascinante das tecnologias, mas o qb é fundamental para manter o
equilíbrio e saúde social necessários para uma prática e relacionamento
comunicativo. Atualmente verificamos algumas deficiências em perceber quando a
comunicação começa a ficar incomunicável e como em tudo existe o senão, senão e
com brincadeira e uma pequena dose de ironia aqui vai.
Na nova era das
tecnologias, pode perfeitamente fazer com que o seu marido ou filho desça para
jantar sem utilizar a sua voz para os chamar, basta simplesmente enviar um
email do seu PC para o do seu marido ou filho, que está no quarto. Não…., não é
no quarto andar! É mesmo no quarto de dormir; da assoalhada ao lado, mas com
toda a certeza ele irá responder de imediato, quer seja através do Chat,
Messenger, Skype ou Facebook, pois são estas algumas das novas ferramentas mais utilizadas
para comunicar.
Estar atualizado é
exigível, quer a nível pessoal, quer em ambiente de trabalho, mas atenção,
porque o nosso colega, vizinho, amigo ou familiar, pode rapidamente esquecer a nossa voz e não
a reconhecer quando ouvir o nosso apelo, pode deixar de identificar aquele nosso olhar que anteriormente nos denunciava e até desconsiderar o nosso silêncio de oiro.
As
pessoas são e valem muito mais do que umas quantas teclas, vamos partilhar
ideias, experiencias, vamos por em comum, em suma, vamos comunicar.
domingo, 7 de outubro de 2012
Arrumar/Desarrumar
Desde muito cedo
que nos ensinam a arrumar; quer seja os nossos objetos ou pertences, quer as
ideias ou pensamentos. Primeiro em casa instituindo prioridades. Sentimentos
como: amor, carinho, amizade, partilha, companheirismo, respeito mútuo; atitudes
onde o saber ser e estar é irrepreensível, comportamentos adequados, civismo e disciplina,
são sem dúvida os primordiais da natureza humana, são as bases fundamentais
para a pirâmide que queremos construir. Jamais podemos esquecer que é em casa a nossa
primeira estância na educação. Depois e continuamente na creche ou escola, com
regras e rotinas que nos dirigem para uma aprendizagem e
desenvolvimento saudável, com mais e melhor formação. Posteriormente no emprego ou em sociedade; o empenho, a
dedicação, o profissionalismo, a concordância, a responsabilidade, os direitos
e deveres, a solidariedade social, a partilha de saberes, e assim continuamente
ao longo de toda a nossa vida. Deste modo, construímos uma identidade e
afirmação enquanto indivíduo, o nosso desenvolvimento cognitivo, pessoal e
social está repleto de ideias e valores que de modo mais ou menos organizado
vamos acomodando mentalmente.
Crescemos, degrau a degrau, com a informação
perfeitamente assimilada do certo ou errado, com obrigações e necessidades
demasiado conhecidas e onde dificilmente existe espaço para as diferenças, não nos
é permitido desarrumar, estamos metodicamente formatados. Ora, quando nos confrontámos
com divergentes conceitos e nos exigem um pensamento distinto e objetivo é
claro que torna-se demasiado difícil de acomodar, pois o puzzle estava planeado
e dirigido para assentar com as peças anteriormente programadas. Perante o desconhecido
e com grande embaraço, sobressai a incapacidade de ação, tentamos de imediato analisar
a razão, mas sem compreender o gigantesco desarrumo que nos provocaram. O
incógnito é geralmente sinónimo de medo e diante as diversidades preferimos reforçar
os valores anteriormente incutidos, em prol do menor distúrbio ou desordem.
Assim, privámo-nos e remetermo-nos à nossa humilde e discreta compreensão,
mesmo que a nossa mente cobiçasse mais.
Arrumar /
desarrumar parece tarefa fácil, mas quando é necessário organizar ideias, acomodar
os sonhos amontoados, compreender novas crenças, libertar preconceitos,
atualizar e abraçar novos conhecimentos; a harmonia entre todos estes elementos
é missão muito delicada de concretizar. É fácil fazer juízos, difícil é
compartilhar. Às vezes é necessário desarrumar para mais facilmente perceber e
entender as várias preferências, gostos, atitudes ou procedimentos. O mais
curioso é que depois de desarrumar até compreendemos que afinal esteve muito
tempo mal arrumado.
Um armário, cheio de (gavetas) bem organizado,
alinhado e cuidadosamente arrumado, com lenços, peúgas, cintos ou gravatas ,dispostos
por cores e tamanhos; de inverno ou verão, disponíveis de modo que o seu
manusear, a nossa rotina seja um ato mecânico, sem confusão, é o modo perfeito,
mas, e se no caminho até à (gaveta) se desacertam? Será o seu desencontro
causado pela sua singularidade ou simplesmente não fizeram o mesmo trajeto?
Iguais ou desiguais, devemos acolher, acomodar devidamente nas gavetas que
dispomos e como verificámos é preciso um desarrumo para um arrecadar de novos
saberes. Temos que deixar um espaço aberto na nossa (gaveta) para uma eventual
mudança, proporcionar variantes, estar preparados para o inesperado.
Esta pequena reflexão
surgiu a propósito de alguém dizer que está tudo demasiado arrumado, tudo muito
certinho. É verdade, e mesmo com a consciência de que ainda existe muito espaço
para compartilhar, é frequente fazermos como a tartaruga, esconder a cabeça debaixo
da carapaça. Será que é para nos proteger? Constato que não e creio que o
receio da exposição e vulnerabilidade a que nos sujeitámos quando as questões
são pertinentes e o nosso saber nos trai com argumentos desprovidos é esta a
principal causa de tal atitude.
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