domingo, 29 de janeiro de 2012

“Amores-perfeitos”

Amores; lindos, vários, inconstantes, distintos, intensos e duradouros, (uns mais que outros), coloridos e de uma profunda beleza, resistentes mas muito delicados, são sem dúvida o que move o ser humano. Uma vida sem amor não vive, não resiste.
Perfeitos! Não, não existem, pois de outro modo perderia todo o encanto, este entusiasmo na procura da alma gémea, a nossa cara-metade. A diversidade é sinónimo de diferença, contudo são as semelhanças que procuramos, são as afinidades que se entrelaçam e as relações desabrocham cheias de esperança e desejo. Assim se constrói um grande amor, quase perfeito, porque amor-perfeito só as flores que assim foram denominadas, talvez para que o ser humano pudesse de algum modo comparar e admirar esta aparentemente frágil e delicada flor e testemunhar a sua gigantesca resistência apesar das adversidades a que está sujeita. Variadas nas formas, tamanhos e cores, estas florescem no inverno, estação do ano com mais intempéries e vendavais. Detentoras dos mais lindos olhares e apreciações, subsistem e perduram para alegrar jardins e canteiros, assim como estimulam o uso da imaginação criadora dos artistas. O ser humano, cada qual com ou à procura do seu “amor-perfeito” deve compreender e espelhar-se nestas flores, simples mas completas, defendem a beleza nos seus mais elementares aspectos; poderá ser transversalmente a sua cor, tamanho ou forma, mas esta, vinda sobretudo do seu interior, da sua raiz; o seu carácter forte e sensível, consistente e estável. Juntas formam um lindo canteiro e irradiam um bálsamo de amor, uma melodia de entendimento e doçura, que ao sabor do vento ultrapassam fronteiras e continentes, como o amor.
O nosso “amor mais que perfeito “, a vida.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Convicções?!

Epidemia é sinónimo de praga, peste ou flagelo sendo com muita tristeza que ainda hoje verificamos a sua presença. Infelizmente são devastadoras e arruínam comunidades, a sua essência, os seus corpos. As vacinas são prevenções e tratamentos que devidamente e atempadamente adquiridas evitam muitas doenças outrora sem resolução.
Casamento é uma união, um enlace, um elo de ligação, do mesmo modo que as uniões de facto, pois são a junção entre duas pessoas que se amam e que decidiram coabitar no mesmo espaço, partilhar e conjugar ideias e opiniões que a dois resultam em semelhanças e afinidades que se completam e complementam.Três temas diferentes, sem nada em comum, inacreditável, impensável e inconcebível para proclamar numa homilia de casamento. Mas, é pedido atenção e silêncio pelo celebrante para as palavras que vão ser dirigidas aos noivos, pois o momento assim o designa. O pedido é acatado inclusive desligados os holofotes dos fotógrafos para não perturbar ou distrair a assembleia que atentamente escuta.
Na minha perspectiva e naquele momento, o pensamento e argumento do celebrante deveria ser dirigido ao novo casal e demonstrar a importância do casamento, o que este significa, como é importante amar, planear, dar, ouvir, respeitar o outro, enfim seria muito mais gratificante para os noivos e restantes convidados proferir palavras de alegria e satisfação por estar diante de si um casal, jovem, que se quer unir pelo sacramento do casamento; mas não, escolheu criticar, julgar e condenar outras formas de união entre pessoas que se amam. O seu discurso foi insensível e deveras perturbador, levando-me a questionar se estava num local de culto, de oração e perante uma cerimónia de alegria e comemoração ou num lugar onde o pregador se esqueceu da função para que foi nomeado e começou a ensandecer. De entre várias frases sem fundamento destaco esta que me perturbou e que discordo profundamente, “… caros noivos, hoje pretendo pronunciar algumas palavras no sentido de vos alertar para esta epidemia que está a atingir os nossos jovens. Estou a falar das uniões de facto, dispensando os jovens de assumir compromissos e promessas que se recusam a reconhecer. Os jovens que vivem em união de facto, ausentam-se às responsabilidades, fogem dos acordos, dos deveres. O casamento é sem dúvida a vacina necessária para combater esta epidemia…”, prosseguiu com mais frases sem coerência, sem nexo, sem fio condutor, que transmitisse algo de claro, apenas prosseguiu com uma oratória que me indignou e revoltou de modo a partilhar este momento com vocês. Alguém ao meu lado, também indignado sussurrou, ”não gostaria de ouvir isto no meu casamento”. A minha esperança é que o choro das crianças que também estavam na cerimónia e o seu andar inseguro, frágil e ruidoso desviasse mesmo que por instantes a atenção das pessoas e as suas palavras não passassem de meros sons.
Todos os pais desejam o melhor para os seus filhos, que sejam e vivam felizes. Deus é pai, por isso tenho a certeza que Ele quer que os seus filhos vivam em paz, amor, respeito e harmonia, independentemente do caminho que escolhem para viver em felicidade. Este e outros temas faz-nos pensar o que é estar convicto ou firme sobre uma questão, um pensamento ou comportamento. Fazer juízos de moral ou valor em relação a pessoas, sentimentos, atitudes ou modos de vida, é muitas vezes traduzido em sentimentos de desconfiança, censura às diferenças e fraqueza, ignorando as consequências de tanta convicção e firmeza. Um ser humano demasiado convicto é certamente sinónimo de inflexível e incomplacente com os seus amigos, o seu próximo ou sociedade. A minha questão é: será que a sua atitude é resultante da sua convicção, crença ou ética? Ou será a sociedade onde está inserido que lhe impõe estas atitudes? A maioria das nossas acções são resultante do que exigem ou esperam de nós e não propriamente do juízo, certeza ou crença que defendemos, porque muitos  de nós, aceitamos e seguimos certas normas morais e sociais, sem questionarmos, apenas fazêmo-lo porque é  costume ou prática, ignorando o seu significado ou o seu propósito. 

sábado, 15 de outubro de 2011

Inquietudes

Nervosismo, tumulto e desassossego é o que nos demonstra esta luta desigual de classes colocando em causa principalmente a saúde e educação. Há uns anos atrás, grandes e médias empresas, instituições bancárias abonavam lucros fabulosos e como que ao som de um clique começaram a dar prejuízos enormes de tal modo que foi inevitável a intervenção do governo de modo a auxiliar na sua liquidez. Desculpem mas não entendo como é que uma empresa tão depressa detém lucros como rapidamente entra em declive e obviamente em falência. Resultado da crise? Mas qual crise? De quem? De quê? Quem afecta? O mercado que está direccionado para os ditosos, como o automóvel que tem escassez de produto perante a procura? Não, estes não demonstram crise; o imobiliário? As grandes moradias vende-se sem problemas, o sector hoteleiro e de viagens não apresentam dificuldades, claro que refiro-me a locais paradisíacos e com várias estrelas. As grandes marcas como vestuário, calçado, brinquedos, artigos decorativos, enfim, todos os bens e produtos de grande escala são cada vez mais atraídos pelo consumo. Então, mais uma vez pergunto e questiono a minha humilde inteligência, onde está a crise? Afinal não somos todos nós que temos o compromisso de atenuar a crise? Sem dúvida que sim, mas esta atinge de modo muito mais devastador o indivíduo mais frágil, delicado, indefeso, de menor capacidade, quer cultural, social, mas principalmente o de classe económica média/baixa.
Saúde e educação são vertentes sociais que implica de modo directo a comunidade e a sua continuidade e é nestas áreas que o governo quer reduzir despesas quando a qualidade dos serviços prestados não são de forma alguma sequer classificados de razoáveis. Escolas sem professores, turmas ou classes com excesso de alunos, materiais e mobiliário inadequado, a prática de exercício físico é realizada sem garantias de segurança, não possuem um pavilhão polivalente, ensino este que não agrada professores nem alunos. São inúmeros os défices neste assunto. A saúde está muito doente, desde os profissionais, os locais de atendimento e claro os utentes. A espera é demasiada pelas consultas, o atendimento rápido e indiferente, prescrições de medicamentos e meios de diagnóstico desnecessários do mesmo modo que verificamos noutras situações a sua escassez. Profissionais de saúde que só obrigatoriamente cumprem horário e assim constatámos, uma enorme lentidão, carência de sensibilidade, falta de comunicação, humanização e organização.
 Podemos reduzir custos e aumentar receitas em variadíssimos sectores, mas nunca numa área tão delicada e necessária como a saúde e a educação. Criar impostos sobre as fortunas? Sim. Desenvolver impostos extras sobre as grandes vivendas, ou sobre ordenados elevadíssimos, ou ainda nos carros de luxo? Sem dúvida que sim. Certamente que estes exemplos teriam um impacto positivo na educação e melhoravam a saúde dos portugueses, mas estas medidas não acreditam votos, créditos ou popularidade. Não sou economista nem necessito de o ser para saber que para equilibrar o orçamento perante a escassez que verifico na minha contabilidade, tenho que reduzir e poupar. Evitar o desnecessário mesmo que seja um e só um euro é o lema. O ditado “grão a grão enche a galinha o papo” é hoje uma forte constatação a ter em apreciação. A economia está a regredir e como alguém já disse estamos a caminhar para um Portugal pobre, muito pobre idêntico ao dos anos sessenta / setenta. Cerzir meias, levar marmitas para o trabalho será um procedimento a adoptar. Contudo a área da saúde e educação são pilares fundamentais para a construção de um povo e de um país. Um povo doente e carente de conhecimentos, cultura ou formação, irá certamente mais uma vez comprometer o nosso futuro e continuarmos no fundo da tabela, sem evolução ou progresso.
 Esta carência de meios, esta lacuna actual na sociedade vai através de ramais familiares e sociais cada vez mais débeis e vagos, atingir consequências devastadoras.

domingo, 2 de outubro de 2011

Falar/Ouvir/Escutar

Saber ouvir é muito mais importante do que falar. Existe um provérbio indiano que diz”Quando falares, procura que as tuas palavras sejam melhores que o silêncio”.
 Uma das caraterísticas relevantes e que definem o ser humano no seu quotidiano é saber ouvir/escutar os outros. Saber escutar é muito, muito importante, mas nem sempre é fácil. Escutar sem interromper, o olhar atento e interessado, a postura ou o silêncio necessário e precioso, são modos de demonstrarmos a nossa atenção e interesse. Hoje é muito difícil encontrar alguém que nos ouça, temos como desculpa o stress do corre-corre do dia-a-dia, ou, quando conversamos, queremos ser o centro das atenções e fazer prevalecer as nossas ideias e opiniões, evitando a manifestação e desejo do outro, deixando de ser uma conversa para ser um monólogo. Hoje a minha predisposição para ouvir nem sempre é a mais assertiva, especialmente com aqueles que me estão próximos, pois as minhas lamúrias, os meus desabafos precisam de ser exteriorizados e também eu necessito de me expressar de modo a que me oiçam. O meu murmúrio hoje é cada vez mais vagaroso e franzino, desaparecendo despercebido no meio da azáfama do momento, sendo cada vez mais difícil encontrar um ouvido atento e acessível. O isolamento, a solidão acompanhada é um sentimento dramático, autêntico, em que a solução depende só de nós, através da nossa sensibilidade e disponibilidade para com os outros. A continuidade com que ouvimos falar, falar, falar, mas sem teor ou conteúdo, causa uma enorme indiferença e insatisfação, levando a desconcentrarmo-nos e direccionarmos o entendimento nas nossas causas, em nós, actuando como indivíduos egoístas e confortávelmnte comodistas.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Educar

Educar é sinónimo de ensinar, disciplinar, instruir, guiar ou orientar, mas é fundamentalmente formar e habilitar os nossos filhos, as nossas crianças, para que sejam jovens e adultos capazes, autónomos, solidários e bem formados. Tudo isto através dos nossos ensinamentos, conselhos e exemplos, legado este que iremos rever no futuro. É ao redor da mesa que muitas vezes começamos por ensinar as primeiras regras e comportamentos. Saber estar à mesa, como sentar, o modo correcto de comer, não interromper as conversas, pedir licença para sair ou pedir por favor; são pormenores que devem desde cedo fazer parte das boas maneiras, de como nos comportar em sociedade.
Hoje é comum observarmos crianças, descendentes de vários extractos sociais, sentados comodamente à mesa de um restaurante e sem transtorno ou aborrecimento para quem os acompanha, ser-lhes facultado e sem nenhuma objecção o computador ou telemóvel para brincar e deste modo poderem usufruir do acto da refeição sem contrariedades. Não, não estou a referir-me a adolescentes, mas sim a crianças que mal sabem falar, idade da imaginação, dos porquês, idade preciosa para lhes mostrar e demonstrar o modo correcto de ser e estar. Fiquei chocada sim com esta situação, pois eram várias as mesas com crianças, caladas, sem um riso, choro ou uma birra e por consequência, pais e amigos tranquilos sem dirigir qualquer palavra ou comentário à criança no decorrer de quase duas horas de jantar, a não ser claro para repor um novo jogo ou eventualmente apanhar o telemóvel que entretanto acabou por cair.
Que legado é este que transmitimos às nossas crianças? Todos sabemos que elas aprendem por imitação. Certamente quando lhes surgir as primeiras questões, as primeiras dúvidas, irão naturalmente dirigir-se à máquina, isolados, sem diálogo e com pais à procura de respostas nos consultórios dos psicólogos, pois não sabem o que fazer com os filhos deprimidos, solitários e afastados. Não temos o direito de culpabilizar os nossos adolescentes e jovens pelo excesso de rebeldia que muitas vezes é acompanhada de má educação, pois no momento em que foi necessário aconselhar e educar, nós adultos, estávamos demasiado absorvidos e alheios. Resultado do progresso, não, resultado do egoísmo, comodismo e inexistência de comunicação.  

domingo, 24 de julho de 2011

Constatação

O Presente, o imediato, o agora, neste instante, o já, será uma certeza? Duvido porque considero que o presente é o resultado do antes, do passado, do antigo, até o futuro, está expressivo na condição de presente. Neste momento, no agora, estamos a testemunhar o passado, ou a surpreender e até alterar o futuro?
Depois desta contradição analiso que o presente não existe a não ser aquele que vem embrulhado e com um grande laço, mas, mesmo esse tem uma breve durabilidade, pois logo que se desata, já é passado e imaginamos de imediato o próximo, portanto o futuro. Desta constatação posso depreender que o presente não existe, mas é sim um estado de presença em determinado momento, que ocorre entre o que foi e o que vai ser. Mas, e os sorrisos inesperados, as lágrimas que não conseguimos conter, os soluços, a voz trémula de emoção, as mãos frias e suadas de ansiedade, as expressões, o olhar preocupado ou apaixonado e o friozinho na barriga? Tudo isto não é presente? É, sem dúvida que sim.
Mas há mais, a resposta ”presente” à chamada do professor para conferir as faltas, isto no passado, pois hoje, para responder à chamada, o aluno necessita apenas de um simples lápis na mão meia elevada e cabeça baixa não carecendo de proferir a palavra que atesta a sua presença. O verdadeiro “presente” é sem sombra de dúvida quando conjugamos o verbo ser, afirmativo, certo, real, quer relativamente ao indivíduo e por complemento aos outros. Eu sou, tu és, ele é, nós somos, vós sois, eles são, concluem e aprovam a nossa condição de “presente” enquanto sujeito.
O “passado”, esse aconteceu há pouco; foi ontem, dantes, outrora, mas, ao revivermos e lembrarmos de modo tão particular e detalhado determinado momento, acontecimento ou feito, transportamos rapidamente o passado para o presente, logo está mais presente que o próprio “presente”, demos preferência a memórias do passado em sobreposição do presente, facultámos-lhe uma pausa, ficando este no estado de passado, ou será no futuro!
 O futuro é sinónimo de incógnita, de destino, esperança, expectativa, mistério, é o que nos move, nos incentiva e estimula, mas se o futuro é consequência da acção passada, portanto do presente, tudo depende do hoje e do ontem, passado? Estou completamente baralhada ou será que não? Tanto faz, o importante é o que me levou a reflectir sobre tudo isto, passado, presente e futuro. A idade? Talvez seja, mas é e foi seguramente um recordar de bons momentos, conviver e conhecer pessoas extraordinárias ao longo do tempo que nos deixam saudades e um enorme brilho nos olhos que nos faz pensar. É um presente inesperado que não é resultado do passado, mas sim um autentico imprevisto, atado não com um laço mas sim com um difícil nó para desprender. Este presente exige calma, firmeza, competência e eficácia que nos permita desatar e prosseguir no propósito de encontrar o futuro. Futuro que se aguarda sombrio, inseguro, incerto, imprevisível e arriscado. Esperança e alento são necessários para assegurar o futuro. Doutro modo, somos um povo sem presente e consequentemente sem história, impedindo de existir futuro.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

ETC

            Esta espressão se é que podemos assim designar ou sigla,  provêm de origem latina  e significa que a frase ou ideia têm continuação, normalmente utilizamos no fim de uma frase e cada indíviduo poderá  continuar consoante as preferências e até modificar o sentido inicial.  Para relatar um episodio podemos iniciar de forma comum e destacar algumas caracteristicas, deixando o leitor pensar como terminar ou acrescentar conteúdo ao documentário, ou informação.
Como exemplo e para especificar vou inumerar algumas características de um ator famoso, George Clooney. Ele é, bonito ,elegante, excelente ator,charmoso, atraente, galá, inteligente, audaz  e como não me ocorre mais adjetivos, coloco ETC.
 Nesta descrição é possível reunir ainda outras competências sobre esta personalidade mas, nada mais conveniente, quando não nos ocorre o que escrever e dispomos de uma sigla que na utilização traduz tudo o que não somos capazes de escrever ou dizer. Desta forma o leitor pode direccionar o registo até onde a sua imaginação o conduzir, o que neste caso em particular, não será difícil traçar adjectivos e atributos. Aqui o ETC leva a supor e conceber conceitos sobre o desconhecido no entanto tão frequente.
 Pessoalmente prefiro ”entre outros” para terminar as frases, pois de outro modo o sentimento que é transmitido é de insuficiência, de incapacidade para descrever o que não conhecemos, de expressar um continuar que não conseguimos exprimir ou evocar ou ainda de que modo vai concluir o texto ou a frase.
Resumidamente quando alguém escreve “ETC” ou está com preguiça ou tem pouco vocabulário.